quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Eth Ferreira Borges da Luz
Por João Ricardo Nogueira

Vovô Jonas com a vovó Eth
Era uma noite fria em Encarnación no Paraguay, e lá estava minha querida avó Eth na frente do fogão fazendo deliciosas balinhas de açúcar. Mais cedo eu havia desmaiado, foi tão repentino, que a tia Ceila disse que eu caí rápido como o Super-Homem! Achei graça, mas fiquei feliz com a comparação. Minha avó estava me fazendo um mimo! Claro que minhas irmãs também estavam de plantão na expectativa para comer as tão esperadas balas de açúcar! Coisas de criança. Assim me lembro de minha avó - cuidadora!

Muitos conheceram a Missionária Eth Ferreira Borges da Luz, uma fiel serva do Senhor, que durante sua vida se entregou ao ministério como poucos… Ela sempre fez toda a diferença por onde passou, ao lado de meu avô Pastor Jonas Borges da Luz. Sempre mais que uma boa esposa, foi também uma companheira de ministério que combateu o bom combate. Mas não quero falar de seu ministério, quero falar da minha querida vovó Eth.

O ano era 1983, eu e minhas três irmãs, Alina, Alice e Ana Cristina havíamos acabado de nos mudar para o Paraguay, onde iríamos passar um período com meus avós, até que minha mãe se reestabelecesse após sua separação de nosso pai. Foi um período muito complicado para nós. Éramos muito pequenos e não tínhamos muita noção de tudo o que estava acontecendo, mas foi um período fundamental para todos nós, pois foi neste período de nossa tenra infância que tivemos a oportunidade de conhecer melhor nossos avós maternos e pudemos ser educados por eles de maneira muito paternal.


  • Neste período em que vivemos no Paraguay com meus avós, me lembro que mudamos bastante e moramos em várias cidades, pois meus avós eram missionários enviados para lá pela Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, e depois que implantavam uma nova igreja, um outro Pastor assumia o ministério, e meus avós iniciavam um novo trabalho em outro lugar, e assim foi durante todo este período, em que plantaram várias igrejas naquele país.

Quando ainda estávamos na cidade de Encarnación, no Paraguay, a escola mais próxima de casa, onde estudei, era uma gigantesca escola católica parecida com as escolas salesianas que temos no Brasil. Era uma escola muito rígida e todos usávamos uniformes que pareciam os do Brasil da década de 1940. Por ser uma escola católica, além das professoras, havia as freiras que também participavam de nossa educação, muito rígidas e disciplinadoras! Em certa ocasião, uma delas me bateu com uma palmatória de madeira, pois durante o momento em que tínhamos de ir a uma capela, eu me recusei a ajoelhar perante as imagens que lá estavam, assim orientado em casa por minha avó, e por isso castigado pela freira. Ao chegar em casa e relatar o ocorrido, minha avó foi até a escola conversar com a freira. Assim me lembro de minha avó protetora!

Lembro-me também de um certo dia, em que um amiguinho que brincava comigo na rua, me convidou para almoçar em sua casa, e depois de pedir permissão fui almoçar com ele. Era uma casa muito pobre, e nosso almoço foi bem simples, uma mistura de feijão com farinha acompanhado de mandioca cozida, era tudo o que tinham em casa. Me lembro que achei delicioso, era uma farinha diferente da nossa, e o tempero do feijão - huum - era de encher a boca d’água de tão gostoso. Em minha ingenuidade de criança, achei a melhor comida do mundo! Cheguei em casa contando como estava gostoso o almoço na casa do vizinho e que estava tão bom que eu tinha até repetido. Foi aí que minha avó me explicou que era uma família muito pobre e que aquilo devia ser tudo o que tinham para comer, falando que deveríamos ajudá-los, e foi comigo à casa do vizinho levar um pouco da comida que tínhamos. Assim me lembro de minha avó caridosa!

Minha avó era uma professora nata, estava sempre nos ensinando alguma coisa, bem, como sempre nos corrigia. Falar errado perto dela não passava desapercebido. Ela sempre nos corrigia e nos ensinava o jeito correto de falar, e mesmo depois de adultos, sempre nos corrigiu e exortou, não mais apenas no modo de falar, mas sobre tudo. Tirar dúvidas com ela, era como conversar com uma enciclopédia viva - sempre sabia de tudo um pouco e tinha muita paciência em nos ensinar, respeitando as limitações de cada fase de nossa vida. Assim me lembro de minha avó educadora!

A Dona Eth, como sempre conhecida, era de fato a matriarca da nossa família. Cuidava especialmente de cada um de nós, sabia o aniversário da família toda e quando estava longe, fazia questão de ligar para todos no aniversário, era uma ligação muito peculiar, pois sempre iniciava já cantando os “Parabéns pra você”, algo que seria cafona para qualquer outra pessoa, mas que ela fazia ser muito especial, e  nos deixava feliz com sua ligação. Assim me lembro de minha avó carinhosa!

Estas lembranças de minha querida avó são muito pessoais, mas quem teve a grata satisfação de conhecê-la sabe a pessoa especial que ela foi. Com certeza transcendia sua geração!  Gostava muito de ler e de escrever, publicou alguns livros e deixou alguns escritos. Mas, mais que isso: deixou seu exemplo para nós e para todos os que tiveram a honra de conviver com ela. Ela foi para a Glória aos 85 anos, e, nos deixando em 02 de outubro de 2016, foi ao encontro do Pai, onde, recebida com grande galardão. No Céu, está em Paz!
Vovó Eth aos cinco anos
Tirada em 12/10/1936

"A beleza é uma ilusão,
e a formosura é passageira;
contudo, a mulher que teme ao
Senhor, essa será honrada!"
Provérbios 31:30

Vá em Paz vovó… Até breve!




Publicado também em:
Site PlugNews 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016


Atores da Indignação!
Por João Ricardo Nogueira

O significado de hipocrisia, todos sabem. Mas o que poucos conhecem é sua origem, que vem do grego hypokrinein, nome que designava os atores de teatro da antiga Grécia, afinal eles fingiam ser outras pessoas, seus personagens. O que os atores faziam no palco era uma "hipocrisia" do grego hypokhrinesthai, que significava “fingimento”.

Não se passou muito tempo (aliás foi bem rápido), para que e as personas da indignação fossem abandonadas por seus atores, as mascaras envelheceram tão rapidamente que até parece que nunca existiram, foram rapidamente largadas, tornaram-se inconvenientemente vergonhoso ostentá-las.

Afinal, os mesmos atores que outrora soavam as caçarolas e bradavam a todo fôlego que sua bandeira era o fim da corrupção, hoje passivamente a aceitam e seletivamente se calam, como se nada houve-se de errado no reinado daquele cujo nome não pode ser citado, mesmo com tantos escândalos ligados ao atual governo, que quase que diariamente vem a tona.

Já contra Dilma, faziam qualquer negócio, tudo valia e os fins com certeza justificavam os meios, chegaram até a se auto-definirem como "Milhões de Cunhas", seria até cômico se não fosse trágico.

Mas, tudo o que tem acontecido, tem unificado as vozes a favor da democracia. Prova disso, é a recente pesquisa do Senado, onde 93% dos internautas que opinaram, apoiaram a realização de novas eleições e a hashtag #DiretasJá não para de crescer nas redes.

Outro fato interessante, é que (segundo um estudo de @FabioMalini) a hashtag #ForaTemer sozinha, já é mais forte que a soma de todas as hashtag usadas contra Dilma no auge dos protestos antipetistas, que na época totalizaram no Twitter 483.797 posts entre os dias 08 a 16 de março de 2015, contra atuais 769.455 posts da hashtag #ForaTemer no Twitter esta semana, isso sem falar em Facebook.

O fato é que a primavera brasileira está chegando... E vai superar a primavera árabe! O povo já está nas ruas e não vai sair!!!
No #ForaTemer nenhum passo atrás, #TemerJamais!!!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Cristãos em dias de intolerância

Por João Ricardo Nogueira

Vivemos dias difíceis e estranhos! Como as coisas ficarão, só o tempo dirá, mas eu tenho uma certeza, tudo está debaixo da soberania de Deus. Ele está no controle e sua vontade irá se cumprir, e nada mudará isso.

Estamos ferindo tantos mandamentos da Palavra de Deus que fico sem saber por onde começar. As redes sociais estão se transformando em arenas de batalha entre cristãos e estamos, na verdade, reproduzindo aquilo que os nossos irmãos coríntios fizeram. Só posso fazer a mesma pergunta de Paulo: “Acaso, Cristo está dividido?” (1 Co 1.13)

Se não deixarmos de lado nossas diferenças e não nos unirmos para lutar pela justiça no nosso país, nós já perdemos a guerra. Cada um tem uma perspectiva, interpretação e ações próprias. Somos diferentes! E por mais incrível que pareça, isso é celebrado na Bíblia! Paulo diz: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4.10). Deus nos fez diferentes, e agimos de maneira diferente, debaixo da graça que ele nos concedeu.

Não precisamos concordar com tudo, mas não podemos desrespeitar nem denegrir um irmão, alguém por quem Jesus morreu, reconheceu que era pecador e agora serve ao nosso Senhor, mesmo que de forma diferente da minha. Precisamos ter em mente que, “Nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12).

Portanto, embora a indignação contra os desmandos e a endêmica corrupção geral na política brasileira seja legítima e necessária, mas ficarmos escandalizados, perplexos porem desunidos e imobilizados não contribui em nada e nem faz justiça à verdade. Na batalha entre o reino de Deus e o reino da perdição, a tarefa do cristão é derrotar o demônio e empurrá-lo para fora desse domínio. É afirmar o senhorio de Jesus Cristo na história. A luta por um sistema mais justo e por leis mais justas, não pode ser travada às custas do esquecimento de que é necessária a graça de Deus para transformar o velho homem. E que qualquer mobilização ou ação política deve começar de joelhos.

Mas, infelizmente o que estamos vivenciando, é um triste período em que o clima crescente de ódio e intolerância ao contraditório político. Inclusive entre os crentes. Quem apoia o governo não merece mais estar na lista de contatos, é bloqueado ou banido nas redes sociais. "Nem merece ser chamado de cristão, Muito menos de irmão." "É um Marxista dissimulado, esquerdista, chavista-bolivariano!" Na outra ponta, "os riquinhos, coxinhas, reacionários, classe média alienada, golpistas e facistas." "Essa gente elitizada, não está nem aí para a injustiça social do nosso país!" Aqui vale uma pausa para reflexão. Jesus foi preso e executado como uma persona non grata tanto para César quanto para o Sinédrio!

Como cristão minhas referências ideológicas são de esquerda, pois ao meu ver, cristão é um adjetivo dado aqueles que seguem as ideias de Jesus Cristo. Em se tratando de Direita e Esquerda não consigo compreender como ser cristão sem, contudo, compartilhar as ideias básicas de Cristo. Particularmente, não consigo entender a visão de alguns cristãos se colocarem contrários aos ideias de Esquerda, como se essas fossem "diabólicas". Digo isso porque se analisarmos, ainda que superficialmente, a vida de Jesus Cristo e de seus seguidores (cristãos primitivos) veremos com muita facilidade se Jesus era de Direita ou de Esquerda.

A linhagem teórica que reúne a esquerda, é o seu ideal de igualdade social, em contraste com a direita que enfatiza o ideal da liberdade individual. Esses termos podem ser imprecisos, mas constituem um ponto de partida para a distinção (ao final trarei as definições). Existem casos em que os dois ideais são compatíveis e complementares, outros em que podem excluir-se reciprocamente, e existe a terceira possibilidade: a de buscar o equilíbrio. Com efeito, nenhum dos ideais pode ser realizado completamente sem limitar o outro. No entanto, a esquerda democrática considera que a liberdade efetiva para todos é possível somente por meio de um certo grau de igualdade.

A democracia tem como elemento central a igualdade “política”. O paradigma liberal afirma que o livre mercado e a democracia não entram em contradição, que existe uma afinidade de valores entre os dois. No entanto, existe um problema fundamental no paradigma liberal, pois o livre mercado limita os que não têm força social para afirmar a sua liberdade. Esta é uma das críticas mais contundente que a esquerda propõe: quem não tem escolha real está submetido à precariedade e à vulnerabilidade. Portanto, há uma tensão inerente ao paradigma liberal, pois a desigualdade econômica mina os direitos políticos e civis.

Podemos colocar a mesma crítica em termos bíblicos. Uma das caracterizações mais centrais da Bíblia a respeito do ser humano é a condição “caída” dele, ou seja, seu afastamento de Deus e consequente tendência ao pecado e à desintegração interior. Essa é uma das condições mais niveladoras da humanidade: “todos nós” somos pecadores. Essa “comunhão” universal humana no pecado é uma das grandes justificativas da democracia: ninguém merece ter poderes ilimitados e não supervisionados sobre os seus semelhantes.

Apesar disso, o cristianismo, no decorrer da história, foi frequentemente usado para defender ideais de desigualdade. Porém, o princípio da igualdade é como a medicina para nós: é boa, não porque seja necessariamente agradável, mas porque estamos doentes. Devido à natureza caída do ser humano, onde houver desigualdade, haverá opressores e oprimidos. Por isso, “amar ao próximo como a si mesmo” inclui, na medida do possível, o esforço para quebrar as estruturas desiguais que engendram a opressão.

No campo da esquerda política, o valor principal é a busca pela igualdade social. Afinal, a liberdade somente se torna efetiva em conjunto com um certo grau de igualdade. Somente assim, o princípio fundamental da democracia, a saber, a igualdade política, se realiza. Porém vemos, cada vez mais, as instituições globalizadas não eleitas ditando as regras para governos nacionais, muitas vezes à custa do bem-estar da população. E vemos governos se tornando reféns cada vez mais do poder financeiro e econômico. Não é difícil perceber como a desigualdade prejudica a democracia.

Há muitos outros argumentos cristãos que podem ser usados a favor de posições políticas que se costuma chamar de “esquerda”. Há, também, argumentos cristãos para defender posições de direita. Tenhamos, então, um debate adulto no meio cristão, sem questionar a sinceridade e, muito menos, a condição cristã do outro lado. Entre a revelação bíblica e as opções políticas de hoje, há uma longa “ponte hermenêutica” a atravessar, e, ao atravessá-la, podemos tentar compartir com os outros caminhantes um pouco da luz que temos e estar abertos para receber deles um pouco da luz que talvez possuam.

Não temos somente uma reputação a zelar, mas uma reputação a zerar!


Definições:
A origem dos termos de direita ou de esquerda, utilizadas na definição dos partidos políticos, remonta à Revolução Francesa, onde os membros do Terceiro Estado, que almejavam uma mudança na forma de governo vigente, se sentavam à esquerda da assembléia, enquanto os do clero e da nobreza, que desejavam a conservação da forma de governo, se sentavam à direita. Grosso modo, hoje podemos assim classificar:

→ Esquerda:
Basicamente trata-se de uma posição ideológica que defende práticas voltadas a uma sociedade mais igualitária. Defende uma melhor redistribuição de renda e respeito as diferenças e prega mudanças na realidade socioeconômica em prol da coletividade.

→ Direita:
Basicamente trata-se de uma posição ideológica conservadora e defensora, hoje, do Neoliberalismo Econômico. Defende a meritocracia e a manutenção da realidade socioeconômica em prol da individualidade.


Nota:
Este é um artigo de opinião, portanto pretende abordar o tema pelo meu ponto de vista, porém deixo claro que existem outras opiniões sobre o tema.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Existe solução na promoção do Caos?

Por João Ricardo Nogueira

Na teoria do caos, a ideia principal é a de que uma mudança no início de um evento qualquer, por menor que seja, pode gerar consequências absolutamente desconhecidas no futuro. Por isso, tais eventos seriam praticamente imprevisíveis - portanto, caóticos. Parece assustador, mas basta dar uma olhada nos fenômenos mais casuais da vida para notar que essa ideia faz sentido. Imagine que, no passado, você tenha perdido o vestibular na faculdade de seus sonhos porque um prego furou o pneu do ônibus. Desconsolado, você entra em outra universidade. Então as pessoas com quem você vai conviver serão outras, seus amigos vão mudar, os amores serão diferentes, seus filhos e netos podem ser outros... Neste conceito de imprevisibilidade, por que então promover o caos político no Brasil?

O motivo é fácil de entender. Na plena estabilidade as massas tornam-se coesas e difíceis de serem manipuladas. O contrário também é verdadeiro: no caos completo as massas tornam-se vulneráveis e facilmente manipuláveis.
Assim a estratégia, problema-reação-solução, tem sido aplicada desde a Revolução Francesa. Cria-se ou explora-se um problema (político, econômico, social, militar ou ambiental), surge a reação das massas a esse problema, nessa etapa a mídia controlada manipula a opinião pública "definindo" a causa do problema, que quase nunca é a causa verdadeira (“Na guerra, a verdade é a primeira vítima.” ― Ésquilo) então a elite, por meio de seus representantes, apresenta publicamente "a solução" que, via de regra, no final privilegia seus próprios interesses.

Na política, como em tudo na vida, é preciso claramente ter lado. É necessário ter uma firme convicção de suas opiniões, independente da conjuntura ou de quaisquer fatores externos por mais relevantes que pareçam ser, afinal princípios devem ser inalienáveis. Neste sentido, é público e notório que sou de esquerda, pois tenho em minha formação política os princípios da origem da definição do conceito de direita ou de esquerda utilizada para se referir a partidos políticos. Definição essa, que perdeu-se ao longo da história, afinal hoje é comum ver partidos "ditos" de esquerda defendendo políticas de direita, como é o caso da política econômica do atual governo.

Não é segredo que tenho críticas e enxergo muitas contradições no atual governo, em especial na sua política econômica. Dito isso, afirmo que a militância de esquerda não está feliz com esse governo, que não representa o que acreditamos.
Ter críticas ao Governo, entretanto, não significa fazer coro com gente que acredita que o impeachment vai resolver o problema do  Brasil, quando na realidade vai apenas promover a troca de Dilma por Temer, aprofundando ainda mais essa política econômica que só beneficia banqueiros e aumenta a dívida pública brasileira.

Não nego os grandes avanços sociais conquistados nos governos do PT com Lula e Dilma, mais os acertos do passado não são carta branca para mudar a rota como tem sido feito. Dilma desde seu primeiro mandato prometeu em campanha não realizar ações e depois as fez, como o caso do leilão do Campo de Libra, por exemplo. Contradições como estas tem tirado a legitimidade deste governo junto aos movimentos sociais e à militância de esquerda que a ajudaram a conquistar o poder.

Porém um dos mais graves problemas do atual governo é exatamente sua política econômica, que privilegia os bancos e o sistema financeiro. A atual política de juros altos joga por terra todo o esforço do governo para economizar, pois o país paga em juros - em um único dia - mais que os 200 milhões que supostamente serão economizados com o corte dos 8 ministérios. Este sim é um problema estrutural do atual governo, que por sua falta de condição política para enfrentar de frente os grandes interesses econômicos da elite, se submete aos mesmos, no desespero de salvar sua governabilidade. Chega a dar saudade da postura firme do Brizola para contrapor a essas aves de rapina da nação!

Somando a tudo isso, ainda temos um Congresso boicotando o país e defendendo - por interesse próprio - a manutenção de um sistema completamente corrompido e corruptor dos financiamentos empresariais de campanhas políticas. Uma mídia completamente parcial, que "acha" dinheiro do Romário, que nem existe, na Suíça mas não encontra dinheiro do Cunha que de fato existe. Uma mídia que alardeia os gastos do governo mas não tem capacidade de tocar no assunto dos gastos do mesmo governo com juros.

Neste cenário catastrófico ainda temos os escândalos de corrupção, onde boa parte da população (sem se dar conta) vem sendo manipulada a condenar e massacrar tudo que está ligado ao partido do governo ou de seus aliados, e a isentar tudo e todos da oposição. Chega a ser estranho perceber que, mesmo os fatos concretos demonstrando uma clara predominância de envolvimento de partidos como o PP, ainda se tenha a impressão de que apenas o envolvimento do PT mereça as manchetes dos veículos de comunicação.

Quem sabe na rota de caos, na qual vamos a passos largos, um prego fure o pneu do ônibus Brasil, e possamos então enxergar que existem novos caminhos...


Alguns veículos que publicaram este artigo:
► Site Plug News

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Não é uma questão ideológica, mas de lógica!
Com Dilma o Brasil avança e com Aécio Retrocede.

Por João Ricardo Nogueira

No 1º turno destas eleições, declarei meu apoio a candidata Marina Silva, pois nenhum dos dois candidatos que agora estão no segundo turno, representam minhas escolhas para o Brasil. Porém no dia 26, nós brasileiros vamos ter que escolher um dos dois caminhos PT ou PSDB?

Aqueles que me conhecem, sabem que ainda adolescente iniciei minha militância política através do engajamento no movimento estudantil no Rio de Janeiro e continuei em Mato Grosso para onde me mudei. Desde o período do impeachment do Collor, até os dias de hoje, tenho acreditado na utopia de um país melhor, mas melhor para todos!

Assim como muitos, acompanhei de modo crítico os mandatos do PSDB com FHC, e na sequência do PT com Lula/Dilma. Bem como me lembro bem do período do Itamar Franco. E quem assim como eu vivenciou estes dois modelos de governo, sabem muito bem o grande abismo de diferença entre eles.

Nesta eleição criou-se uma verdadeira barbárie política, as pessoas estão raivosas e cada vez menos abertas ao debate de idéias, repetem sem qualquer reflexão frases feitas, e se fecham ao debate real pautado em informações concretas e fatos reais.

Neste segundo turno, com mais esta repetição da dicotomia PT/PSDB, um fato tem me chamado a atenção, percebo que a maioria dos críticos do atual governo (PT), refiro-me aos críticos de Facebook, sequer vivenciaram o governo anterior (PSDB), mas hoje afirmam categoricamente que era melhor. Será?

Não vou tratar de assuntos como corrupção, aborto, drogas e homosexualismo. No primeiro tema nenhum dos dois lados tem autoridade moral para falar um do outro, seria como "o sujo falando do mal lavado", talvez um mais sujo que o outro, mas ambos contaminados pela peste da corrupção. Já nos temas aborto,  drogas e homosexualismo, os dois candidatos já se posicionaram anteriormente com defesas exatamente iguais, portanto não há divergência real entre os dois nestes temas. 

Falando destas eleições, tem muita gente com amnésia neste país, se esquecem que o PSDB/FHC assumiu o país com uma dívida pública equivalente a 38% do PIB, dívida formada em toda história anterior ao governo tucano, e em apenas 8 anos de governo do PSDB, esta dívida chegou a 78% do PIB. Não se lembram de milhares de indivíduos com curso superior fazendo fila para um concurso de gari, numa época em que o Brasil era o 2º país do mundo em DESEMPREGO. Não se lembram que a inflação média do governo de FHC era 44% maior que a inflação média do governo Dilma. Se esqueceram do sucateamento feito com as Universidades Federais e também com as Escolas Técnicas Federais. Não se recordam do arrocho salarial que imperava no país. Não se lembram que o salário mínimo equivalia a U$70 (Setenta dólares) e hoje equivale a U$325 (Trezentos e vinte e cinco dólares). Muitos não lembram que na ineficiente gestão de FHC, o país teve que pedir dinheiro ao FMI para não quebrar. As pessoas parecem não saber que quem criou o fator previdenciário foi o PSDB.

Aí uns vão dizer: Ah, mas a corrupção está insustentável na gestão do PT, e novamente a amnésia ataca, pois se esquecem dos maiores casos de corrupção que este país já viu, como a Privataria Tucana, Caso Sivam, O Caso da Pasta Rosa, Mensalão Tucano, Máfia do Cachoeira, Cartel dos Metrôs SP e DF, têm até escândalo com réu confesso como o da Compra da Reeleição de FHC no qual deputados confessaram ter recebido R$ 200 mil por voto (Na época havia paridade com o dólar, ou seja podemos dizer que cada voto comprado custou U$200 mil dólares).

Ah, mas isto é do governo FHC, vamos falar de Aécio, bom então podemos começar falando do Desvio das Verbas da Saúde mineira em sua gestão, ou podemos citar o Aécioporto de Cláudio, Favorecimento da Rádio de Aécio nas verbas publicitárias de minas, podemos também citar o Nepotismo tanto dos parentes de Aécio em sua gestão, como o dele ser funcionário fantasma do pai em Brasília morando no Rio de Janeiro, tem também o Mensalão mineiro envolvendo diretamente lideranças tucanas de minas ligadas a Aécio, tem também o caso de um corpo executado com um tiro na nuca, encontrado em Sítio do Aécio, crime este nunca investigado, segundo denúncia formal feita pelo Policial Civil de minas Lucas Gomes de Arcanjo. 

Achou pouco tem mais, muito mais...

Mas derrepente a grande mídia e a elite brasileira, estão manipulando a cabeça das pessoas mesmo contrariando os fatos. Fazem do Aécio o super herói que vai acabar imediatamente com todos os problemas do país com seus super poderes, como se ele fosse mágico. Mas está claro que eleger Aécio Neves, constitui-se em um grave erro político, pois nada mudará sua origem política e a natureza de de sua candidatura, que representa o estado mínimo com a desconstituição dos direitos sociais.

Obs. Quanto a Marina Silva, esta "representava" na política brasileira uma utopia que valia a aposta! Com uma trajetória de esquerda, tentava conciliar a defesa do meio ambiente ao desenvolvimento sustentável e a inclusão social. Se auto denominou de "A nova política", mas seu discurso veio a óbito ao declarar apoio ao campo mais retrógrado da velha política, o que marcará para sempre a sua história.

domingo, 16 de março de 2014

Pensar fora da caixa
Racionalizar fora dos padrões é mais que um diferencial 
hoje em dia, é uma questão de sobrevivência!

Por João Ricardo Nogueira

Durante toda nossa vida são construídos corredores ideológicos que funcionam como túneis, que delimitam o fluxo da nossa vida. A maioria das pessoas sequer nota, e muitas - quando percebem - escolhem seguir a correnteza sem questionar, por ser considerado normal.

Robert Kiyosaki, famoso escritor e autor de grandes Best Sellers como “Pai Rico, Pai Pobre”, tem uma famosa frase onde diz que: “As pessoas mais ricas do mundo constroem redes, as outras são treinadas para procurar emprego.”. Vivemos em uma sociedade com muitos padrões pré-definidos, que produzem comportamentos padronizados e que normalmente geram resultados padronizados. Porém os resultados podem ser transformados, na medida em que nos permitimos ter novas experiências, que acabam por transformar nossa mente antes também padronizada.

A grande dificuldade nesta transição é ter a CORAGEM para sair do óbvio. Afinal, o óbvio aparentemente representa um território mais seguro, frequentado pela maioria e com menos riscos de acidentes de percurso.

O problema de se manter no caminho do óbvio, é que ele te conduz ao mesmo destino da grande maioria. Mas não queremos o resultado comum, afinal temos os nossos próprios sonhos, não é mesmo? Porém, querer conquistas diferentes comportando-se como a maioria, é no mínimo um sinal de insanidade.

Particularmente tenho uma grande vantagem, sou da geração da mudança!
Em minha infância, não tínhamos internet, tablet, smartphone, nada dessa centena de artefatos tecnológicos. Brincávamos na rua com bola, pipa, carrinho de rolimã, enfim brincadeiras da minha época. Mas também sou da geração que foi às ruas pedir pelo impeachment, que viu nascer a internet, o celular e quase tudo que temos de mais moderno hoje.

Por isso sou de uma geração que acredita na mudança, e que sabe que é possível mudar. Não apenas o mundo à nossa volta mas também mudar a nossa própria história pessoal, traçar novas rotas, a caminho de destinos ainda desconhecidos.

Poucos meses atrás eu era um exemplar funcionário de uma grande empresa de telecomunicações, e gostava muito do que fazia, e fazia muito bem feito!
Tinha muito orgulho de sempre conseguir cumprir e na maioria das vezes até superar minhas metas, e almejava muito seguir carreira naquela grande empresa.

Mas de repente, como em um passe de mágica tudo mudou, percebi uma grande oportunidade de melhorar minha vida, e comecei a sonhar com um futuro diferente. No começo tive muitas dúvidas, tive medo e muito receio de jogar tudo pro alto e arriscar-me em um novo terreno, que jamais havia trilhado, onde tudo seria novo e desafiador.

Quando compartilhei minhas intenções com alguns colegas, de sair da empresa e me arriscar em uma oportunidade sem garantias, alguns pensaram que no mínimo eu tinha perdido a sanidade, afinal porque fazer isso?

Foi aí que lembrei-me de um pensamento de Bob Marley que dizia que: 
“É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem, que não conhecem a dor da derrota, nem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, ao final de sua jornada na Terra não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante Ele, por terem apenas passado pela vida.”

Inspirado, naquele dia fui para casa dominado por um espírito de aventura, conversei com a minha benção (minha esposa), que pela graça de Deus me deu total apoio, dizendo que me apoiaria seja qual fosse minha decisão. Isso era tudo que eu precisava ouvir, no dia seguinte comprei uma passagem para o final de semana seguinte e fui atrás desta grande oportunidade que mudaria minha vida.

E foi assim que eu conheci o VERDADEIRO MMN - Marketing Multi Nível, e tomei a arriscada decisão de me desvincular do mercado tradicional para me aventurar neste novo e estranho mundo, sem um salário no início do mês, sem plano de saúde pago pela empresa, sem meu polpudo ticket alimentação e refeição, previdência privada, sem participação nos lucros, etc.

No começo estava muito empolgado, perdia o sono fazendo planos para o futuro com os ganhos que ainda iria ter. Mas como não tinha experiência neste mercado, os resultados não aconteceram no primeiro mês. No segundo comecei a ter alguns resultados, mas ainda muito aquém do que imaginava, momento em que cheguei a pensar que tinha feito a maior besteira da minha vida e quase desisti.

Por precaução, no terceiro mês eu comecei a enviar alguns currículos, só por precaução, e no mês seguinte estava participando de um ótimo processo seletivo para um excelente cargo em uma grande empresa. Pra ajudar, a oferta de ganhos era pouco mais que o dobro do meu melhor salário na antiga empresa, porém teria uma rotina mais exigente que tinha em meu emprego anterior, com uma atuação rotineira em três estados, ou seja, na prática viajando a semana toda e somente os finais de semana em casa.

Havia marcado para este mesmo período a vinda do meu patrocinador na empresa de MMN à minha cidade, e seria minha grande chance de fazer acontecer. Tinha que optar, se aceitasse o convite de emprego teria que viajar já na semana seguinte para fazer um treinamento inicial na matriz da empresa, e assim teria que cancelar a vinda de meu patrocinador em minha cidade.
Mais uma vez, contra todas as apostas, joguei tudo para o alto e me arrisquei novamente, resolvi apostar tudo no MMN. Três meses depois, com muito esforço e dedicação, minha renda de uma única semana foi de um valor pouco superior ao equivalente a 3 meses da minha antiga renda mensal na empresa de telecomunicações que trabalhava antes.

Não quero com este texto, dizer que é fácil fazer MMN, mas sim afirmar que existe um preço a ser pago, e na maioria das vezes não é barato. Mas aprendi que da mesma forma que o sucesso tem seu preço, o fracasso também tem o seu, só que mais caro. E o que temos que fazer é apenas escolher se queremos pagar o preço do sucesso ou do fracasso. Eu fiz a minha escolha pelo sucesso, e você, qual escolha fará?



Cheque recebido em evento da Wor(l)d
U$ 16.155,20 dólares, soma dos meus ganhos semanais no mês.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Quando os Brasileiros Vão Aprender?
E parar de acreditar em contos de fadas do tipo “ficar rico sem fazer nada”!

MMN X PIRÂMIDE
Por João Ricardo Nogueira

Virou moda no Brasil usar o nome do Marketing Multinível (MMN) ou Marketing de Rede. Basta abrir uma nova empresa, dizendo que, esta sim, é a nova revolução do mercado, e que todos vão ficar ricos, “sem trabalhar, (é claro!)”, que logo chovem cadastros de pessoas “iludidas” que acreditam em contos de fadas de ficar rico sem ter de batalhar.

Pois, para quem assim pensa, tenho algo a dizer: “Acorda meu povo! Isso não existe.” Saiba por quê:

O Marketing Multinível ou Marketing de Rede é um trabalho sério, honesto, regulamentado em vários países do mundo, e normatizado por entidades como a DSA, que, desde sua fundação em 1910, vem regularizando o setor de vendas diretas, e, juntamente com a FWDSA, fundada em 1978, trazendo seu código de ética, como principal instrumento de normatização deste setor em nível mundial.

Há alguns meses, a justiça brasileira começou a intervir nessas empresas, e tem realizados centenas de investigações contra as que atuam nesta linha de oferecer milagres financeiros. (E, de repente a justiça tornou-se a principal vilã, pois afinal é ela quem fez, e está fazendo intervenção nestas empresas milagrosas).

Entretanto é estranho que ninguém fale das empresas que ainda não sofreram intervenção judicial, mas que, mesmo assim, não tiveram sucesso em fazer as mágicas prometidas aos milhares de “iludidos” pelo dinheiro fácil, que se associaram a estas empresas.

Já passa da hora de as pessoas enxergarem a realidade dos fatos. Não existe Marketing Multinível com ganhos fixos. O nome disso é Pirâmide de Ponzi, e, querendo você ou não, isso é ilegal, pois se trata de golpe no qual o resultado sempre será o mesmo, ou vai quebrar por si só.  Afinal, não existe lastro financeiro (pois as contas não batem), ou será bloqueado pela Justiça Brasileira.

Então, Pare de buscar projetos "Milagrosos" do tipo “fique rico ou ganhe dinheiro sem fazer nada”.  Você realmente ainda acredita nisso? Existem ganhos sem trabalho?!  Não construa seu castelo na areia. Amanhã ou depois ele, com certeza, se irá desfazer.

Lembre-se de que demoramos muito para conquistar a credibilidade com nossos familiares e amigos, mas podemos perdê-la em apenas um dia!

Pare de acreditar em promessas de "Falsos Líderes”. Estes são estelionatários e só querem ludibriar pessoas honestas, com o único intuito de enriquecimento próprio! E, pior ainda, que usam o nome de Deus para conquistar credibilidade para seus golpes! Não se engane. Lembre-se o que diz a Bíblia: “Do suor do seu trabalho comerás”. (Gên.3,19)

O Verdadeiro líder é aquele que te ensina a ganhar dinheiro honestamente, ou seja... TRABALHANDO. É aquele que te dá treinamento, dicas e estratégias de venda, SUPORTE, e, acima de tudo, exemplo de transparência, honestidade e de compromisso com os seus liderados!!

Quer realmente mudar sua vida com o MMN? Procure uma empresa séria com um projeto sólido, seguro e, acima de tudo, sustentável! Busque empresas que sigam o código de ética da FWDSA, associadas a entidades como DSA e ABVD, pois neste setor esse é o melhor selo de qualidade que se pode exigir.

Sucesso a todos!



Alguns sites que publicaram este artigo:
► Site Hiper Notícias

sábado, 3 de novembro de 2012

Privatização, ou acumulação por Roubo?                                                          Por João Ricardo Nogueira*


Para retirar o mundo capitalista da estagnação e crise econômica, a solução encontrada nos últimos anos, foi ampliar os campos de atuação e lucro da iniciativa privada para os diversos setores econômicos que até então eram vistos como direitos, e por tanto garantidos e geridos pelo estado.

Ou seja, a transferência dos direitos através de concessões, e das propriedades públicas através das privatizações, tornaram-se corriqueiros. Vale ressaltar que estes direitos e patrimônios públicos, foram conquistados com muita luta da sociedade, em especial das classes menos favorecidas. Assim, o domínio do capital privado acumula-se através de uma espoliação, que é contrária ao bem coletivo. Assim, conclui-se que a transferência das obrigações e direitos públicos para a iniciativa privada, é um privilégio a determinados grupos econômicos, em detrimento da população que destes serviços precisam.

O argumento na defesa das políticas privatizantes, tem sido o de que as estatais seriam improdutivas, dariam prejuízo (e estariam sempre endividadas), seriam usadas como cabides de emprego, seriam um canal propício à corrupção, e só sobreviviam devido aos subsídios governamentais, entre tantos outros argumentos utilizados para nos enganar, pois contraditoriamente aos argumentados, sempre foram privatizadas as empresas lucrativas. Como foram os casos, na época, da Companhia Vale do Rio Doce e da Companhia Siderúrgica Nacional, que eram empresas muito lucrativas e competitivas.

Só para se ter uma idéia, a Vale do Rio Doce foi sub-avaliada e doada, por apenas R$ 3,3 bilhões. Para se entender o que este valor significava, era menos do que o lucro da empresa em apenas três meses. No ano em que foi leiloada, o lucro líquido da empresa foi de R$ 12,5 bilhões, mais de três vezes o valor de sua venda, sem falar que cerca de um ano depois, a mesma estava avaliada no mercado por R$ 120 bilhões. Na verdade, ela nunca valeu apenas R$ 3,3 bilhões, ou alguém acredita que seus compradores conseguiram a mágica de em apenas um ano, conseguirem um crescimento recorde de mais de 3.636%, pouco mais que 36 vezes o seu suposto "valor original" de venda?

Vale ressaltar que, a corretora Marril Lynch (que a avaliou a estatal) foi acusada de sub-avaliar as jazidas e o conjunto do complexo industrial da Vale, com patrimônio superior a R$ 100 bilhões, mais tarde descobriu-se que a corretora Marril Lynch, era ligada à empresa Anglo American, participante do leilão.

Na época, diziam que os recursos captados com as privatizações serviriam para diminuir a dívida pública, mas, contraditoriamente, a própria política de juros altos, adotada para conter a inflação e atrair investimentos externos, levou a uma elevação da dívida em valores superiores aos supostamente conseguidos com as privatizações, inviabilizado em pouco tempo o suposto objetivo inicial. Digo supostamente pois na grande maioria dos casos o dinheiro para a aquisição das estatais "doadas", vieram do próprio  governo através dos empréstimos do BNDS, o que alias precisa ser checado se estão sendo pagos.

Mas o pior deste processo, alem é claro da "doação" do patrimônio público com esta "estória" pra boi dormir, é que ainda criaram na opinião pública, o senso comum (aquilo que tendemos a repetir, sem termos realmente conhecimento a respeito de maneira mais profunda), de que este seria o melhor caminho, afinal o estado continuaria a ter o controle da qualidade dos serviços privatizados, através das agências reguladoras, que hoje na prática são inversamente dominadas pelos regulados.

Em Cuiabá estamos vendo esta fatídica história se repetir com a privatização da SANECAP, que foi adquirida pela CAB Ambiental por apenas R$ 516 milhões, valor este que ainda será pago parceladamente, sendo R$ 140 milhões em dois anos e o restante a longo prazo. Só para se ter uma idéia do absurdo, com esta privatização, Cuiabá deixou de receber aproximadamente R$ 300 milhões do PAC, que seriam investidos no saneamento de Cuiabá. Isto para não falar que nos últimos meses após a venda, já se prevê que a CAB deve chegar ao final de 2012 com um faturamento de aproximadamente R$ 80 milhões, e projeta-se para 2013 um faturamento de R$ 120 milhões. Ou seja, nos próximos 4 anos a CAB já terá faturado valor superior ao de sua aquisição, e ainda terá mais 26 anos de contrato para explorar o  povo cuiabano, que já está sentindo no bolso os aumentos das contas de água, e a falta dela nas torneiras.


Alguns sites que publicaram este artigo:
► Site Hiper Notícias

*João Ricardo Nogueira, é atualmente Consultor em Telecomunicações, foi Ex-Presidente da ACES – Associação Cuiabana dos Estudantes Secundaristas, e Ex-Presidente da AME – Associação Matogrossense dos Estudantes, tendo como principais conquistas durante seu mandato a frente do Movimento Estudantil, a reconquista da Meia-Entrada, e a conquista o Passe Livre em Cuiabá. (www.jrnogueira.blogspot.com.br)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

"Quem ganhou a eleição?"
                                                    Por João Ricardo Nogueira*

É no mínimo estranho ver que na alegria de "alguns" dos ditos "vencedores" do processo eleitoral, existe prazer em tripudiar sobre a dor alheia, escarnecendo da tristeza dos ditos "derrotados".

O fato é que, só dá pra dizer quem é vencedor ou perdedor, após os 4 anos de mandato. Se ganhar, ganham todos e se perder, perdem todos, a não ser, é claro, os que têm algum tipo de benesse, vantagem, cargo público, etc., com determinado grupo político partidário.

Fora isso, colheremos todos juntos os resultados da futura gestão, e por isso temos que fazer o possível para que as coisas andem a favor de toda a população, a despeito das nossas torcidas particulares.

O tempo e a experiência, nos mostram que o sucesso depende de todos nós, e que ninguém melhora sozinho nem a si próprio, quem dirá ter a pretensão de mudar as vidas de quem depende de políticas públicas. Essa responsabilidade é de todos, todos os dias!

Pois no final o que faz a diferença, é o tipo de pessoas que escolhemos ser, bem como aquelas que escolhemos para estar ao nosso lado. Afinal, a história vai registrar e demonstrar, quem estava certo ou errado, pois é como o diz o dito popular, "nada como um dia atrás do outro".

Poderia eu aqui, citar vários exemplos e fatos históricos, que demonstraram com o tempo, que o que parecia certo se demonstrou errado, ou que parecia vitória demonstrou-se derrota coletiva, mas espero eu sinceramente estar equivocado em meus julgamentos e opiniões, pois assim como a grande maioria daqueles que gostam de política, eu também luto por uma sociedade melhor.

Finalizo este artigo, citando Aristóteles quando disse que: “A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las.”, por isso reafirmo, que Lúdio Cabral e Ana Regina com certeza mereceram o meu apoio, e merecem minhas homenagens, pois assim como disse Agostinho, possuem os dois principais atributos da esperança, a indignação e a coragem; a indignação que nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem de lutar para mudá-las. Por isso quero publicamente agradecer, a honra que tive de os ter apoiado nesta caminhada, que ao meu ver, foi vitoriosa, pois resultou na conquista de 140.798 votos livres e conscientes. Afinal como disse Rousseu:

"Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico,
que possa comprar alguém, e ninguém seja tão pobre,
que tenha de se vender a alguém."


Alguns sites que publicaram este artigo:

► Site O Documento
► Site Hiper Notícias
► Jornal Folha do Estado - (Edição 31/10/2012 pág. 02)
► Site Mato Grosso Notícias
► Site Olhar Direto
► Site 24Horas News


* João Ricardo Nogueira, é Ex-Presidente da ACES – Associação Cuiabana dos Estudantes Secundaristas, e Ex-Presidente da AME – Associação Matogrossense dos Estudantes, tendo como principais conquistas durante seu mandato a frente do Movimento Estudantil, a reconquista da Meia-Entrada, e a conquista o Passe Livre em Cuiabá. (www.jrnogueira.blogspot.com.br)